Blog do Roberto

Domingo, 05 de Setembro de 2010. Boa Madrugada!
Política

Sobre margens e erros

09 de Dez de 2009 - 15h52min

É curioso acompanhar a divulgação das pesquisas de intenção de voto pela grande imprensa. Tantos anos de divulgação e ainda não temos uma padronização de interpretação que nos dê, minimamente, um balizamento de leitura.

A última pesquisa do Ibope mostrou que o governador Serra, que tinha 35% na pesquisa anterior, passou para 38%. E que a candidata Dilma passou de 15% para 17%. Considerando que a margem de erro da pesquisa é de 2%, seria lógico dizer que Serra cresceu e que Dilma oscilou positivamente, dentro da margem de erro. Mas a manchete da Folha diz que Serra e Dilma oscilam em pesquisa e Ciro cai 4 pontos.

Por que a Folha não foi buscar uma pesquisa anterior para mostrar uma série histórica, essa sim muito mais confiável para apontar qualquer tendência? Por que apostar a cada vez na última pesquisa, sem considerar a dinâmica do período pré-eleitoral, onde essas oscilações são inevitáveis?

E que dizer da falta de uma análise mais apurada que leve em consideração, por exemplo, que a diferença na intenção de voto em Marina Silva, de 8% para 6%, embora dentro da margem de erro, é muito mais preocupante uma vez que resulta de números absolutos menores?

A margem de erro é um erro lógico, inerente à qualquer pesquisa amostral. Não quer dizer que a pesquisa esteja errada, mas que a amostra contém, necessariamente, erros estatísticos em função da sua heterogeneidade. O único remédio para isso é ampliar as séries históricas. É como enxergar a onda, e não a partícula. Infelizmente temos a mania de considerar cada pesquisa como inaugural, dona de uma verdade que irá subsistir até que nova e caríssima pesquisa venha substituí-la.

Imprimir  Topo


Comentário (0)

Deixe um comentário

Nome: Obrigatório Número de caracteres excedido
Email: Obrigatório Inválido
Comentário: Obrigatório

   © 2008 robertorocha.com.br - Todos os direitos reservados