Em meio a impasses graves e uma desorganização que deixou milhares literalmente congelando do lado de fora do Bella Center, onde acontece a COP 15, é preciso não perder de vista avanços simbólicos, pontuais, e nem por isso menos eficazes. Exemplo 1: o que poderiam ter em comum José Serra e Arnold Schwarzenegger, além de governarem estados ricos? Ambos assumiram metas ousadas de redução de emissão de dióxido de carbono em São Paulo e na Califórnia, seus respectivos estados. Isso é sinal de que atitudes governamentais regionais, dentro da federação, são importantes para quebrar a letargia e mesmo a paralisação que tende a dominar negociações tão complexas como as que ocorrem nesse momento na Dinamarca. Houve muita atenção aos dois governadores por aqui, e cada um deu seu recado para líderes mundiais. Exemplo 2: representantes de parlamentos têm conversado, trocado informações, discutido legislação ambiental e desafios tecnológicos com setores empresariais envolvidos diretamente pela questão das mudanças climáticas, como é o caso do energético. Como presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, dei meu recado na mesa redonda da Comissão em conjunto com a Câmara de Comércio Dinamarquesa-Brasil (veja matéria no site) . Agora há pouco uma nova rodada de conversas com deputados alemães, país que tem muito a dizer sobre legislação ambiental . O fato é que vamos voltar para nossos parlamentos diferentes, com mais informação da bagagem para ajudar o Brasil a conduzir sua política nacional de mudanças climáticas de longo prazo. Mas o que queremos levar mesmo é a notícia de um acordo consistente para garantir o futuro da vida no planeta. Temos só mais dois dias pra isso.
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