É conhecida a máxima de que na política não importam os fatos, mas as versões. Quando uma opinião se cristaliza na sociedade ganha ares de verdade e produz efeitos especialmente no campo eleitoral.
Digo isso para festejar o estudo feito pelo professor Claudio Salm, do departamento de Economia da UFRJ, que investigou os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, feita pelo IBGE, entre 1996 e 2008, para comparar as administrações do PSDB e do PT.
O que ele apurou é que há um contínuo de melhoras nos índices gerais do país, durante esse período. Em 1996, quando o presidente Fernando Henrique completou um ano de governo, 48,5% dos domicílios pobres tinham água encanada. Em 2002, ao fim do mandato tucano, esse número subiu 11,1 pontos, alcançando 59,6%. Em 2008, no mandato petista, subiu mais 8,7 pontos, chegando a 68,3% dos domicílios.
Também no saneamento, no período FHC, os domicílios mais pobres com acesso à rede de esgoto chegaram a 41,4%, uma subida de 9,1 pontos percentuais, tendo alcançado 52,4% no governo Lula, ou seja, mais 11,3 pontos. Índices parecidos também podem ser computados na questão do acesso à luz e telefones.
É claro que a formulação de políticas públicas de inclusão social exige um tempo de maturação que faz com que normalmente os primeiros anos tenham resultados menores. É como a decolagem de um avião, que exige menor velocidade e atinge o seu máximo quando em altitude de cruzeiro. Ou seja, na nossa metáfora, quando as políticas estiverem plenamente constituídas e internalizadas pelos poderes e instâncias de Governo.
Teve mérito o governo Lula ao manter as conquistas. Mas não é honesto quando reivindica só para si os resultados que vem de um processo contínuo de políticas que alavancaram o país nos últimos 15 anos. O PSDB não soube dar o nome aos bois que o PT ferrou e rebatizou como seus. Essa é mais uma variável e um desafio para os marqueteiros da próxima campanha presidencial do partido.
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